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JOSÉ LUIS PEIXOTO

JOSÉ LUIS PEIXOTO | escritor

Quando pára de escrever, aproveita para conhecer o mundo. E agora tem andado a fazê-lo com a companhia da EGO.

Na bagagem, já leva vários livos escritos, traduzidos em 20 idiomas, e uns quantos prémios arrecadados.

Em 2012, publica "Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte" e estreia-se na literatura de viagens.

Textos e Fotografias José Luis Peixoto

JOSÉ LUÍS PEIXOTO TEM A PALAVRA

a entrevista que o nosso #egofighter José Luis Peixoto deu à revista Bluebird.

Fica a conhecer a sua grande paixão em viajar e descobre como as experiências vividas influenciam a sua escrita.

SÃO TOMÉ

Vamos ficar aqui mesmo, só a olhar para ti. Talvez assim consigamos aprender tudo o que tens para ensinar-nos. Seremos como frutos, discípulos da fertilidade. Seremos como uma manga, estendida na mão de uma mulher. Seremos como fruta-pão.

E, durante todo este tempo, haverá sempre ondas ou respiração. Nessa paz que é apenas tua, ilha e cidade, há o segredo com que sonhas. Vamos ficar aqui mesmo, só a olhar para ti, até sermos capazes de imaginá-lo.

TÓQUIO, JAPÃO

A hipótese é: talvez cada um tenha a sua cidade individual. Talvez essa cidade tenha ruas, avenidas e todo um sistema de transportes, pontual, limpo e silencioso. Na organização dos passeios, talvez seja possível que cada um se cruze com muitos outros nessa cidade, mas também é possível que todos evitem tocar-se ou, até, olhar-se nos olhos. Se o fizessem, talvez percebessem que todos são o mesmo, único criador dessa cidade individual, guardião assustado de um rosto que julga desprotegido.

GYONGJU, COREIA DO SUL

A brisa que atravessa o pavilhão é tão suave como esta hora. A brisa que avança pelas águas do lago resvala nos reflexos, é assim que distingue os séculos dos instantes. Agora: este instante, antes e depois de séculos.

Meninos, olhem para aqui, reparem nesta voz que vos chama, o silêncio é outra coisa, as brisas também são outra coisa. Meninos, reparem neste tempo, ouçam-me no interior misterioso da vossa idade.

RIO DE JANEIRO, BRASIL

Se existir um fim, não será agora. Temos ainda tanto sol e tanta festa na pele. Se as horas não concordarem comigo, são elas que estão erradas. Quem pode confiar em números ou em obrigações?

Vê só como o horizonte não reclama. Depois do dia, a noite; depois de Copacabana, a Lapa; depois de água de coco, caipirinha.

Fim? Que nada.

SINGAPURA

Acreditamos em cada ponto incandescente que conseguimos espetar na escuridão, são pequenos vislumbres de tudo o que existe lá por trás, à espera de ser revelado. Seremos capazes de contrariar a noite.

O nosso plano é construir edifícios até ao fim do céu e iluminá-los até ao primeiro início da manhã. Um dia, ninguém saberá o que é a noite, ninguém será capaz de recordá-la.

Não importa o quanto falta para atingirmos o nosso propósito, importa que já fizemos tanto, já chegámos aqui. Agora, é demasiado tarde para voltarmos atrás.

BAFATÁ, GUINÉ-BISSAU

As águas do rio Geba são o céu a passar entre margens de terra. Todas as árvores e mesmo as plantas mais pequenas, ervas miúdas, têm as raízes a tocar essa fertilidade. O céu reflecte o rio Geba e, com a sua vastidão, sem falta de espaço, expande-o ao longo de todo o silêncio.

Todos os dias, a manhã surpreende essa nitidez. Com o passar das horas, mesmo quando o sol transforma a terra, as casas e os corpos em ferro incandescente, as águas do rio Geba e o céu são um descanso dessa dor.

Na distância, a cidade dos homens é engolida pela natureza, pela cor da terra. O tempo passa em meses, estações e anos. Espalhando risos crioulos, as crianças atravessam os destroços.

STAVANGER, NORUEGA

Temos tudo o que precisamos numa rua sossegada. Fomos nós que pintámos as paredes da nossa casa. São paredes de madeira, foram erguidas pelo nosso pai, que dorme no andar de cima. Ao serão e no início da madrugada, ouvimos os seus passos, pés dentro de meias, os sapatos ficam à porta. A casa lamenta esse peso, faz a vez da nossa mãe.

E, depois de pão escuro, saímos para trabalhar. As ruas da cidade vivem a sua própria vida, passam por nós quase sem nos reconhecer. Quando chegamos ao barco, estamos de novo em casa. A água cheira a salmão. E não importa o frio, não importa a dificuldade invisível da distância, importa a claridade. Só importa a claridade.

BUSAN, COREIA DO SUL

Chamam-nos de todos os lados. As cores exigem a nossa atenção. Se andarmos três quarteirões a partir daqui, chegaremos ao mercado do peixe Jagalchi. Para chegar lá, não precisamos de levar as mãos dadas, basta-nos caminhar lado a lado.

Então, à nossa volta, encontraremos o fundo do mar, distribuído por alguidares de plástico, muito vermelhos, muito verdes, muito azuis. Na área descoberta do mercado, levantaremos o olhar até aos bairros que sobem pelas colinas e, dessa forma, chegaremos longe, ao topo da Torre de Busan, de onde acreditamos que podemos ver toda a cidade, os enormes barcos alinhados no porto a ocuparem toda a distância até ao horizonte. Mas não seremos capazes de nos ver no mercado Jagalchi ou, mais concretamente, aqui: a três quarteirões, em Nampo-dong, de onde ainda não saímos e onde, lado a lado, esperamos uma espetada de polvo.

BANGUECOQUE, TAILÂNDIA

Não saberia crescer sem o conforto que me dás. Preciso desse aconchego de calor e transpiração, como preciso dos táxis fluorescentes que atravessam a noite e o dia, das motas que decifram labirintos no trânsito ou dos tuk-tuks iluminados pelas cores que os incendeiam.
As papaias e os durians amadurecem no passeio.
Ao lado, o óleo ferve à espera do tofu.

Existimos no interior de uma esfera de tempo. Hoje é a minha idade. Hoje não se repetirá. Estou no centro do teu cuidado e, sei, tudo aquilo que nos rodeia faz parte de ti.

TUTUALA, TIMOR-LESTE

Preocupámo-nos demasiado. Afinal, bastava o mar, a areia e o céu, bastava ar limpo, a graça de saber respirar e a proteção da ilha de Jaco. Bastava palavras impolutas, guardadas desde o início do tempo, à espera de serem pronunciadas exatamente agora ou, talvez, caladas agora de novo, indistintas do silêncio, feitas de silêncio.

Partilhamos a paz dos peixes e das nuvens. Suspensa na água e no céu, suspensa na manhã, existe uma única paz, atravessa aquilo que nos toca e atravessa-nos, somos indivisíveis da paisagem. Por isso, as crianças brincam sobre a nossa pele, riem-se sobre os nossos ouvidos, são crianças em nós.

BOGOTÁ, COLÔMBIA

Um dia, o passado será uma cidade. Poderemos visitá-la para reencontrar os instantes e os sorrisos que não fomos capazes de guardar na memória, tantos instantes, tantos sorrisos. Os anos serão ruas, avenidas e praças. As pessoas serão monumentos que nunca envelhecem.

Então, todo o bairro da Candelária poderá ser um avô e uma neta, esquecidos de tudo o que virá, suspensos na verdade de existirem.

Nesse dia futuro, o passado será agora. Por isso, a cidade que poderemos visitar com todos os detalhes será esta que nos rodeia. Turistas de nós próprios, caminharemos por ruas imperfeitas, encontraremos surpresa na nitidez e chegaremos a duvidar deste momento.

SÃO FRANCISCO, EUA

A subir, empurrei o carrinho de bebé pelas ruas mais inclinadas de São Francisco. Que memória desses dias guardará o rosto do meu filho? Que expressão terá ganho por ter recebido o sol da Califórnia com meses? As crianças nunca esquecem, recordam até o mais sensível ai.

Filho, a Bay Area pertence-te. Poderás reclamá-la dentro de alguns anos, quando achares que chegou o momento. Há uma parte grande de nós que nasceu em São Francisco. Essa é uma cidade entre todas as cidades. Não adianta procurar-lhe o segredo, basta aceitá-lo, senti-lo a atravessar a pele, como uma brisa ou uma certeza. Se assim for, se decidires ser o rei invisível da Califórnia, não te esqueças daquele tempo, no teu carrinho de bebé, pequenino, a abrires os olhos perante todo o céu. Reconhecerás essa memória em ti, terá a forma de algo imenso e absoluto, como o amor.

SÃO PAULO, BRASIL

Não importam os números ou as enciclopédias, no topo do Terraço Itália, temos a certeza absoluta de que São Paulo é a maior cidade do mundo. Não aceitamos que nos contradigam. São Paulo é e será sempre a maior cidade do mundo porque não há possibilidade de, na história futura, se voltarem a reunir as condições para se chegar outra vez à construção de uma distância tão grande, toda coberta de betão.

Larguem-nos anónimos entre milhares de outros, também sem nome, na Avenida Paulista. Obedientes, esperaremos pelos semáforos. Quando for a hora de avançar, iremos juntos. Não seremos o coração da multidão, seremos algo menos essencial, como a metade de braço ou um dedo. Os nossos pensamentos hão-de misturar-se com os motores, todo o trânsito. Estamos preparados para receber São Paulo na nossa lista de necessidades. Acreditamos que é a maior cidade do mundo, não importa se é, importa que lhe sobrevivemos diariamente.

EGO 2010 ©

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  • MANIFESTO // GO FIGHT YOURSELF

    Mas afinal de contas o que é o sucesso?
    O que significam 15 minutos de fama?

    Tudo isto não passam de preconceitos que te meteram na cabeça.
    O sucesso é meio caminho andado para o insucesso.
    Caga no sucesso. Caga na fama.

    Descobre que o teu limite é não ter limites.
    Descobre até onde vai a tua insanidade e obsessão, para deixares a tua marca.
    Luta contra ti próprio. E supera-te. Todos os dias, a qualquer hora.

    O sucesso é isto: ter coragem para nunca deixar de tentar.

  • AVISOS LEGAIS
  • AVISOS LEGAIS

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